26/06/2007
Bem mais que 10 000 turistas

No meu passeio de moto em Hue, perguntei ao Tuu, meu guia, quantos turistas visitam o Vietnã por ano. Após pensar por uns cinco segundos, ele respondeu:

- Mais de 10 000.

Não está errado. O Vietnã recebeu 3.6 milhões de turistas em 2006 e estima que, em 2007, 4.4 milhões de pessoas vão desembarcar no país. Para efeito de comparação, o número de visitantes no Brasil é de aproximadamente 5 milhões por ano.

Foto: 1752

Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
25/06/2007
Um dia muito especial

Desde que cheguei na Ásia, estava doidinha para passear num campo de arroz. Na minha cabeça, esse era o cenário que eu contemplaria pelas janelas dos ônibus e trens em que viajaria.

Assim que cruzei a fronteira do Camboja com o Vietnã, comecei a ver a paisagem que tanto imaginava. O Vietnã é o quinto maior produtor de arroz do mundo e tem plantações por toda parte.

Mas eu não estava contente de ver de longe. Queria chegar perto e olhar sem pressa. Tive minha primeira chance em Hue, a cidade que foi capital do Vietnã de 1802 a 1945. Hue fica no centro do país, a 660 quilômetros Hanoi e a 1080 quilômetros de Saigon.

No meu primeiro dia em Hue, enquanto jantava sozinha um delicioso foundue de carne num restaurante, conheci um simpático vietnamita, o Tuu, que ofereceu um passeio de uma manhã na garupa de sua moto. Sairíamos as 8h30 e visitaríamos seis lugares, entre templos, uma antiga ponte japonesa, o rio Perfume e... campos de arroz! De todos os pontos de visitação que ele me mostrou nas fotos, o que mais me motivava eram as imagens dos trabalhadores com chapéus de palha em formato de cone em meio aquela paisagem verdinha e pantanosa.

Paguei os 7 dólares que ele pediu e, na manhã seguinte, nos encontramos no mesmo restaurante. O passeio foi um dos mais bacanas que fiz no Vietnã. Meu guia dirigia com cuidado e falava um excelente inglês. A maioria das pessoas faz um percurso semelhante de ônibus, com agências de viagem. Se voce vier ao Vietnã, nao pense duas vezes: alugue uma moto ou monte na garupa de um motorista local. É muito mais divertido.

Quanto a visita ao campo de arroz, é tão bonito quanto eu imaginava. A receptividade das pessoas, no entanto, nao é lá essas coisas. Eu era a única branca ali e ninguém exatamente respondia aos meus sorrisos. Ao me ver, eles sussurravam palavras em vietnamita. Perguntei ao Tuu o que eles diziam. Estavam pedindo dólares.

Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
24/06/2007
Minha cidade favorita no Vietnã
O Vietnã tem pouco menos da metade da população do Brasil e uma área equivalente a do Maranhão. Não é difícil imaginar o que acontece quando há gente demais e espaço de menos. As cidades são muvucadas, apertadas e barulhentas. Num país assim, encontrar um lugar quieto é um alívio inimaginável para os ouvidos e para os nervos. O silêncio foi um dos motivos que me fez adotar Hoi An como a minha cidade vietnamita preferida.

De todos os lugares que visitei no país, Hoi An foi o único em que os motoristas parecem não colocar a mão na buzina a cada cinco segundos. Há poucos carros nas ruas e a maioria das pessoas circula a pé, já que o centro é pequeno e plano. Desde que cheguei ao Vietnã, foi a primeira vez que atravessei a rua sem medo de morrer atropelada.

Hoi An tem 88 000 habitantes e uma atmosfera que me lembra Paraty, no sul do Rio de Janeiro. A cidade foi um dos principais portos asiáticos nos seculos XVI e XVII. Sua arquitetura de influência chinesa sobreviveu as guerras e se manteve preservada. Em 1999, o município foi declarado patrimônio mundial pela Unesco.

Atualmente, Hoi An é um dos principais destinos turísticos do Vietnã. Além do charme das ruas, a cidade é famosa por sua indústria de alfaiataria. Há cerca de 200 lojas que prometem confeccionar blusas, vestidos, calças, casacos e sapatos sob medida em poucas horas. Você aponta um modelo num catálogo, escolhe o tecido e, no mesmo dia, experimenta a peça.

Uma vez que você começa a comprar, fica difícil parar. Um vestido de seda custa de 20 a 35 dólares. Um terno sai por 40 dólares. Quase todos os mochileiros que conheci se renderam a tentação do consumo e gastaram ali mais do que em qualquer outro centro de compras. Quem mais vi torrando dinheiro foram os ingleses, que ganham em libras e não têm do de colocar a mão no bolso. O povo deixa ali, facilmente, 400, 500, 600 dólares...

Em nenhum outro lugar na Ásia vi tantos viajantes bem vestidos. É engraçado observar todo mundo trocar as camisetas mulambentas por camisas bem passadas e blusas bem cortadas. Mas é só ali. Depois, todo mundo manda as roupas novas pelo correio e volta a realidade de mochileiro largado.

>
Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
23/06/2007
Tour pelo rio Mekong
"Hello!": todas as crianças sabem saudar em inglês

Detesto excursões, mas me rendi a tentação da praticidade e da economia para conhecer o vale do rio Mekong, no extremo sul do Vietnã. A região tem uma geografia complicada, toda entrecortada por rios. Fiquei com preguiça de quebrar a cabeça para trocar de ônibus e barco toda vez que decidisse me locomover. Sem falar a língua local, então, seria mais complicado. Paguei 26 dólares por um pacote da Sinh Cafe, a CVC vietnamita, de três dias e duas noites, incluindo transporte, hospedagem, entradas, guia em inglês e quatro refeições.

De fato, foi uma mão na roda. É muito fácil se juntar a um grupo e ter quem te diga a hora de acordar, almoçar e passear. O ônibus te deixa no hotel e te conduz a cada atração turística. Você não tem de fazer nada, só seguir a multidão. Eu, que vinha organizando tudo por minha conta, confesso que gostei, sob o ponto de vista da comodidade.

Chega uma hora, no entanto, que cansa. Você quer almoçar, mas é hora de visitar uma sem gracérrima fábrica de arroz. Quer dormir até tarde, mas precisa cair da cama as 6h para dar tempo de fazer os vinte programas daquele dia... Querem saber? Sou mais o árduo preço da liberdade.
Quintal de uma casa flutuante: cachorros por toda parte
Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
22/06/2007
Uma semana de férias
Fiquei hospedada na casa de um brasileiro amigo de um amigo em Saigon. Gente boníssima, o arquiteto Maurício Alves, 34 anos, me deu uma cópia da chave e me recebeu como se nos conhecêssemos desde criança. Fui tão bem tratada que abusei de sua boa vontade e fiquei uma semana. Meu anfitrião, por sua vez, também estava feliz. Ele nunca tinha recebido uma visita desde trocou São Paulo por Saigon, há um ano e meio.

Foi a primeira vez na viagem que fiquei numa casa de verdade. Até então, eu vinha pulando de uma pousada pra outra. Nossa, que diferença... Para começar, hotel nenhum do mundo, por melhor que seja, propicia o conforto de um lar. Além disso, foi maravilhoso ter a oportunidade de conviver com uma pessoa que efetivamente vive no lugar. O Maurício me contou histórias sobre o país que não estão nos guias de viagem. Vocês sabiam, por exemplo, que quem hospeda um estrangeiro no Vietnã tem de reportar seu nome e número do passaporte a polícia? O Partido Socialista, o único que existe por aqui, controla os passos dos estrangeiros de perto.

Em Saigon, esqueci a vida de mochileira. Andei de taxi e carro para cima e para baixo, dormi bem, comi em restaurantes classudos e frequentei casas noturnas da moda. Afinal, o Maurício e os amigos dele não circulam na rota turística e barata dos viajantes. Por uma semana, foi como estar de férias.

Maurício e eu, a beira da piscina: dias de férias
Maurício, posando com uma vendedora ambulante: de Saigon há um ano e meio

Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
21/06/2007
Culto à brancura
No Vietnã, como na Ásia em geral, chique é ter pele branca. Vocês raramente vão ver uma asiática estirada na praia tomando sol. Na cidade, durante o dia, elas cobrem a pele o máximo possível. Se ela estiver de manga curta, provavelmente vai usar uma luva sete oitavos para proteger os braços e as mãos. Quase todas usam chapéu e muitas cobrem o rosto com um lenço. Vejam vocês:


Elixir clareador: se no Brasil a gente usa autobronzeador, aqui elas usam cosméticos para deixar a pele mais alva


Braços cobertos: a vaidade da barqueira do rio Mekong


No trânsito de Hue: as adolescentes aprendem desde cedo
Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
20/06/2007
Túneis de Cu Chi






Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
19/06/2007
Cotidiano
Atravessar a rua em Hi Chi Minh City (Saigon) é uma aventura. Assista ao vídeo aqui
Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
18/06/2007
Vietnã
Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
06/06/2007
Meses de estrada

Estou na Ásia desde 21 de março. Meu plano é passar um ano fora do Brasil, dos quais dez meses aqui e dois na Europa. Meu avião saiu de São Paulo rumo a Londres, de onde voei para Bangcoc, capital da Tailândia. De lá, fui para o sul da Tailândia, cruzei o Camboja e cheguei à cidade vietnamita de Ho Chi Minh, que, até 1975, se chamava Saigon.

Estou vivendo um ano sabático. Para quem não sabe, trata-se de um período em que você interrompe sua atividade principal e dá uma parada na vida. A expressão vem do hebraico shabat, o dia do descanso semanal dos judeus. No meu caso, resolvi usar esse tempo para viajar. Sozinha.

As primeiras semanas aqui não foram nada fáceis. Eu ainda estava apreensiva sobre minha decisão radical de ter deixado um emprego de seis anos em uma revista, fechado meu apartamento, vendido meu carro e juntado cada centavo das minhas economias para realizar o sonho de conhecer o outro lado do planeta.

Quando cheguei a Bangcoc, estava tão insegura que passei um dia inteiro trancada no hotel. Não me dei ao trabalho de ligar para minha família, avisando que tinha chegado bem. Dois dias depois, quando acessei a Internet, minha caixa de entrada estava lotada de mensagens de amigos e parentes perguntando sobre o meu paradeiro. Desesperada, minha mãe tinha ligado para meio mundo em busca de notícias minhas.

Mas a ansiedade inicial passou. Aos poucos, saí da toca, conheci pessoas e comecei a me adaptar a nova vida. Desde que saí do Brasil, não tive um único dia igual ao outro. A partir de agora, vou dividir minha experiência de viajante solitária aqui com vocês, no site de Criativa.
Escrito por Marcella Centofanti
Comentários  Comentários  ()
 
 
 
• Tailândia (Bangcoc e sul)
• Camboja
• Vietnã
• Laos
• Tailândia (norte)
• Mianmar
• China
• Nepal
• Índia
 
 


A jornalista Marcella Centofanti deixou um emprego de seis anos e resolveu tirar um ano para viajar (dez meses na Ásia e dois meses na Europa). Aqui ela conta suas experiências na estrada.
 
 
Revista Criativa
Blog da redação
Blog do Homem sincero
Criativa no Orkut
Relation_Chip
Blog "Vista, sim! "
Bazar Criativa
Blog Cabeça de Gorda
 
   
  O que é isso?
 
12/01/2008 - 27/01/2008
28/12/2007 - 12/01/2008
13/12/2007 - 28/12/2007
28/11/2007 - 13/12/2007
13/11/2007 - 28/11/2007
29/10/2007 - 13/11/2007
14/10/2007 - 29/10/2007
29/09/2007 - 14/10/2007
14/09/2007 - 29/09/2007
30/08/2007 - 14/09/2007
15/08/2007 - 30/08/2007
31/07/2007 - 15/08/2007
16/07/2007 - 31/07/2007
26/06/2007 - 16/07/2007
06/06/2007 - 26/06/2007
 
 
Copyright © 2007 - As mensagens postadas na seção reservada aos comentários são de responsabilidade única e exclusiva de seus autores.