08/07/2007
As crianças são adoráveis
Meu amigo Tom, o inglês com quem viajo desde o Camboja, me convidou para dar um passeio de moto nos arredores de Vang Vieng, numa manhã de sol entre nuvens. Visitamos uma caverna, nadamos num rio gelado e vimos centenas de borboletas coloridas. O mais legal, no entanto, aconteceu por engano. No caminho de volta, pegamos uma estrada errada e chegamos num vilarejo onde não deviam morar mais de trinta famílias. Curiosas, as crianças vieram ver os gringos montados na moto. No início, elas estavam tímidas e nos olhavam de longe. Aos poucos, elas se soltaram e começaram a brincar com a gente, ainda que não falassem nada de inglês. Me digam se elas não são as criaturas mais adoráveis da face da Terra.
Escrito por Marcella Centofanti
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06/07/2007
A praia do Laos
O Laos e o único pais do Sudeste Asiático sem saída para o mar. Mesmo assim, ele tem sua praia. Trata-se de Vang Vieng, um vilarejo de 25 000 habitantes a 153 quilômetros ao norte de Vientiane. A cidade é parada obrigatória de qualquer mochileiro que passe pelo país.

O "mar" de Vang Vieng, e sua grande atração, é o rio Nam Song. A paisagem montanhosa que rodeia a cidade e margeia o rio é uma das mais lindas que vi na Ásia. Deitados sobre bóias (na verdade, câmaras de pneu de caminhão infladas), os viajantes passam o dia inteiro deslizando sobre o Nam Song, levados pela correnteza.



Ao longo do percurso de 3 quilômetros, há uns oito bares. O programa é parar em cada um deles, beber uma cerveja e saltar na água. Todos os bares são equipados com plataformas de madeira de onde você pode se jogar no rio, pendurado num corda.



É divertidíssimo. Após três, quatro ou mais garrafas de cerveja, no entanto, a brincadeirinha pode se tornar perigosa. Mas quem se importa? Quase ninguém usa colete salva-vidas. Eu mesma não usei nas duas vezes que fiz o passeio.



À noite, quem ainda tem pique vai num dos bares da cidade. Na baixa estação, a galera se concentra em dois ou três endereços. Por lei, os estabelecimentos fecham cedo, à meia-noite. Depois, a única opção são os bares localizados à beira do rio. Ali, o povo faz fogueiras e relaxa nas redes disponíveis nos bangalôs. Muita gente também vai a Vang Vieng atraído pelas drogas. É fácil encontrar maconha, ópio e cogumelos alucinógenos. Embora essas substâncias sejam ilegais no país, os cardápios dos restaurantes anunciam um menu "especial", o que significa drogas em forma de suco, chá ou pizza. O governo tenta coibir o consumo estipulando altas multas para usuários. Não ouvi falar de ninguém que tenha sido pego.

Escrito por Marcella Centofanti
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04/07/2007
Enfim, sossego

Esta é a foto de uma das principais avenidas de Vientiane, a capital do Laos, numa tarde ensolarada de domingo. Meu guia de viagem descreve a cidade como "a mais calma capital do planeta". Maior município do país, Vientiane tem só 200 000 habitantes. Após um mês de barulho e muvuca no Vietnã, sobretudo nos grandes centros urbanos, é um alívio para os ouvidos cruzar a fronteira.

No meu primeiro dia no Laos, estranhei acordar de manhã sem barulho de buzina e gritos. A janela do meu quarto dava para a rua, que é uma travessa da possivelmente mais movimentada avenida de Vientiane. Curiosamente, no entanto, não ouvi um pio. Adorei notar a diferença no trânsito dos dois países. No Laos, ao menos na capital, os motoristas respeitam os semáforos e os motoristas usam capacete. Quase ninguém usa a buzina desnecessariamente. Ah, que beleza...
Escrito por Marcella Centofanti
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02/07/2007
Cinco coisas que amo no Sudeste Asiático
A comida saudável e fresca, sobretudo na Tailândia e no Vietnã


A educação das pessoas


O hábito de tirar o calçado antes de entrar em qualquer lugar


Os monumentos


As paisagens deslumbrantes
Escrito por Marcella Centofanti
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01/07/2007
Placas inesquecíveis
Tenho visto placas curiosas ao longo do caminho. Fotografei algumas para compartilhar com vocês. Eis minhas favoritas:


Não me lembro de ter visto outra campanha anti-drogas com o mesmo apelo (Vang Vieng, Laos)


O absorvente at é entendo anunciar. Mas mel? (Luang Prabang, Laos)


Essa placa está afixada na entrada de qualquer pousada no Camboja. Agora pergunto: quem é que vai carregar uma granada para cima e para baixo? (Siam Reap)


A privada ocidental é complicada demais para os cambojanos (Angkor Wat)


Se o mar recuar, corra! (Phi Phi, Tailândia)

Qual é a sua preferida?
Escrito por Marcella Centofanti
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30/06/2007
A pior viagem de ônibus do Sudeste Asiático
Desde o comecinho da minha viagem, ainda na Tailândia, ouço péssimas histórias sobre a viagem de ônibus entre Hanói, no Vietnã, e Vientiane, no Laos. Na medida que me aproximei de Hanói, os relatos tornaram-se mais assustadores. Ouvi coisas como: "Você corre o risco de passar 24 horas sentada no corredor"; "A estrada é horrível e, se o ônibus quebrar, você tem de rezar para passar um táxi"; "O ônibus e desconfortável e não tem banheiro". Muitos viajantes me aconselharam a pegar um avião, que leva cerca de uma hora para completar os 485 quilômetros de percurso.

Pensei bem e decidi que não valia a pena. Em primeiro lugar, meu plano e fazer todo o percurso por terra. Só vou pegar um avião se alguma fronteira estiver fechada. Em segundo, a diferença do preço e considerável: de 13 para 120 dólares. Por fim, acho que estou mais acostumada a longas viagens de ônibus do que os europeus que moram em países minúsculos. Já encarei 33 horas numa viagem de São Paulo a Valença, na Bahia. Não seria pior que aquilo.

Confiram o que aconteceu:






19h10. Com uma hora de atraso, nossas bagagens começam a ser acomodadas no teto do veículo
19h30. No início da jornada, Yan e Tom, ambos ingleses que conheci no Camboja e com quem combinei de vir ao Laos, ainda sorriem
22h. Após parar a cada meia hora para pegar caixas e sacolas, o ônibus está lotado. Não tem espaço sobrando nem no corredor
6h15. Chegamos a fronteira. Começa a burocracia do entra-e-sai
11h20. Como não podia deixar de ser, o ônibus quebrou. Os estrangeiros, que representam metade do ônibus, jogam baralho para matar o tempo. A espera dura quase uma hora
17h50. Depois de 23 horas, finalmente chegamos a Vientiane


Tudo o que me disseram era verdade. O ônibus quebra, não tem banheiro e, sim, corre-se o risco de ter ir sentado no corredor. Mas querem saber? Eu faria a viagem outra vez.
Escrito por Marcella Centofanti
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29/06/2007
Dana e Ariel
Quem viaja sozinho dificilmente passa muito tempo sem uma companhia. No meio do caminho você inevitavelmente encontra alguém que vai para o mesmo lugar no mesmo período e vocês vão acabar se juntando. Chega uma hora que cansa não ter com quem conversar no café da manhã e na janta. Além do mais, estar com alguém significa economizar em despesas como táxi e acomodação

Conheci o Ariel e a Dana no ônibus que nos levou de Bangcoc, na Tailândia, a Siam Reap, no Camboja. Os dois têm 22 anos, são israelenses e acabaram de completar o serviço militar obrigatório de 3 anos. Meu santo bateu com o deles imediatamente.
Coincidência: quando tirei essa foto do ônibus que nos levou da Tailândia para o Camboja, nós três ainda não nos conhecíamos


A partir daí, nos cruzamos diversas vezes pelo caminho. Sem combinar, acabamos pegando o mesmo ônibus de Phnom Penh, no Camboja, para Saigon, no Vietnã. Continuamos nos topando pelas semanas seguintes até decidirmos viajar juntos nos últimos dez dias de Vietnã.
Do Camboja para o Vietnã: mais uma vez, por acaso, estávamos no mesmo ônibus


Os dois são uns amores, bem-humorados e generosos. Como bons israelenses, sabem barganhar como ninguém. O Ariel passava meia hora discutindo para ganhar um desconto de um dólar no preço do nosso quarto, o que faria o preço cair de 13 pra 12 dólares (dividiríamos o total em três). Ele sempre alcançava o valor desejado. Para mim, que não tenho a menor paciência de chorar descontos, foi excelente. Nos dias em viajei com eles, economizei como nunca.

Nos despedimos em Hanoi, quando eu vim para o Laos e eles voaram para a Tailândia, onde vão aproveitar as ultimas três semanas antes de voltar para Israel. Sinto saudades deles.
Após um mês e meio: no nosso ultimo dia juntos, em Hanoi, Dana e Ariel me deram esse macaquinho de pelúcia

Escrito por Marcella Centofanti
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28/06/2007
Justiça seja feita
No último post, falei sobre a difícil relação dos turistas com os vietnamitas. Para não ser injusta, quero deixar claro que nem todo mundo e mal-educado. Conheci pessoas incríveis nos trinta dias que passei no pais. Eis alguns exemplos:


A Thu, 40 anos, é dona de um dos bares mais agradáveis que visitei no pais, o Café on Thu Wheels. Ela dá duro das 6h as 23h para manter a agilidade do serviço e a qualidade dos pratos que serve no seu pequeno bar/café/restaurante, em Hue. Seu endereço é um dos preferidos dos mochileiros de passagem pela cidade. Sentar ali e garantia de beber cerveja gelada, ouvir rock de qualidade e encontrar essa vietnamita simpaticíssima permanentemente com um sorriso no rosto.


O Tuu foi meu guia e motorista no passeio que me levou a um campo de arroz, a um mosteiro budista e a monumentos históricos nos arredores de Hue. O cara é gente boníssima, confiável e conhece a região detalhadamente. Montada na garupa de sua moto, tive uma das minhas manhãs mais agradáveis no Vietnã.


Certo dia, perdida em Hanoi, entrei na loja da Phong e pedi ajuda para me localizar no mapa da cidade. Acabamos batendo papo por uns 40 minutos. A Phong tem 22 anos, estuda marketing na universidade e planeja fazer sua primeira viagem internacional para a China, ainda neste ano. Ela me deu seu telefone, seu e-mail e ofereceu ajuda para qualquer dúvida sobre a cidade.


Essas duas vietnamitas fofíssimas de 19 (a de verde) e 15 anos puxaram assunto num barzinho local, enquanto eu esperava um suco de melancia. Elas me convidaram para sentar com elas e quiseram saber detalhes sobre minha viagem. Disseram que sou bem-vinda no Vietnã e desejaram felicidades para o resto da minha viagem. Ao final da conversa, pediram para tirar uma foto comigo e me deram seus e-mails.
Escrito por Marcella Centofanti
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27/06/2007
Vietnamita não e fácil
A queixa numero 1 dos viajantes no Vietnã e a difícil relação com a população local. Ainda na Tailândia, no começo da viagem, ouvi comentários negativos de quem vinha do Vietnã. A visão geral de tailandeses, cambojanos e ocidentais e de que os vietnamitas são mal-educados e desonestos. Após um mês no pais, infelizmente, sou obrigada a concordar que eles nem sempre são fáceis.

Influenciados pela cultura chinesa na língua e no comportamento, os vietnamitas são um povo único no sudeste asiático. Comparados com os vizinhos da Tailândia, Camboja e Laos, eles são mais barulhentos, extrovertidos e informais. São menos sorridentes também. Após conviver com a meiguice da população nos outros três países, muitos viajantes estranham a mudança.

Da para entender que os caras não tem muitos motivos para amar estrangeiros. Após mais de um milênio de dominação chinesa, décadas de colonização francesa e anos de guerra com os americanos, os vietnamitas vivem seu período de plena independência ha apenas 28 anos (a ultima invasão ocorreu em 1979, novamente pelos chineses). O mundo todo quer tirar uma lasquinha. O povo, evidentemente, quer mais é ficar em paz.

Descontar a bronca nos turistas, no entanto, só vai espantar a entrada de dólares no pais. Não que seja uma atitude calculada, mas em muitas situações eu e tantos outros viajantes que cruzei pelo caminho sentimos um sentimento de hostilidade no ar.

Tenho a impressão que os órgãos de turismo tem consciência dessa queixa. Em Saigon, vi taxis com adesivos de boas-vindas aos estrangeiros. Na mesma cidade, li na edição inglesa de um jornal local uma matéria cujo titulo era "Seja vietnamita, seja educado", explicando a importância das boas maneiras. Espero que futuros visitantes saiam do pais com uma impressão melhor que a minha.
Escrito por Marcella Centofanti
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A jornalista Marcella Centofanti deixou um emprego de seis anos e resolveu tirar um ano para viajar (dez meses na Ásia e dois meses na Europa). Aqui ela conta suas experiências na estrada.
 
 
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